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Posted in Ciência e Tecnologia

Tempestades Elétricas – Beleza, perigo e prejuízo

Tempestades Elétricas – Beleza, perigo e prejuízo

A urbanização sem planejamento provocou, entre outros problemas, o aumento da incidência de raios e tempestades elétricas nas grandes cidades. À medida que o concreto substitui a vegetação, a circulação do ar é prejudicada pela poluição que forma camadas e impede o fluxo de ar quente, fazendo-o subir e se transformar em vapor d’água que, em contato com a atmosféra cálida cria o ambiente perfeito para a criação de eletricidade.

Raios Atingindo uma cidade

Para simplificar, o fenômeno não é dificil de entender: as nuvens mais altas são carregadas com cargas positivas enquanto as mais baixas, cheias de cargas negativas. O encontro entre as nuvens com cargas opostas provoca as tempestades elétricas, os raios e relâmpagos. O raio, em 95% dos casos, começa dentro das nuvens e se propaga pela atmosfera até atingir o solo. Apenas 5% dos casos registram o contrário: raramente o raio se forma da terra e sobe se propagando em direção à nuvem. Em casos assim, existe menos a ação da natureza e mais a interferência humana, pois em todos os registros existiam torres de eletricidade por perto, de onde os raios surgiam em direção ao céu. Esses raios ascendentes são típicos em locais elevados com grande quantidade de energia elétrica industrial.

O Brasil é considerado o país do mundo com o maior número de ocorrências de raios e tempestades elétricas, sendo que o Amazonas é o estado com o maior registro de raios por ano: 2.746. Por estar no centro da floresta de clima úmido e quente, o Amazonas, mais especificamente, ao longo do rio amazonas, recebe em média anual 15 milhões de raios. É um número alarmante! Campo Grande, São Paulo, Rio de Janeiro e Uruguaiana, são, respectivamente, as cidades seguintes com alto número de registro de raios e tempestades elétricas.Raios atingindo uma base militar

Segundo pesquisas americanas do Instituto de Climatologia da Universidade da Califórnia o aquecimento global provocou uma mudança significativa também nos fenômenos de tempestades elétricas: a cada grau Celsius a mais registrado no planeta, cresce em 12% as chances de caírem raios. Especialmente no Brasil, as queimadas nas plantações, costume recorrente em várias partes do país para agilizar de forma econômica o replantio de culturas como cana de açúcar provocam uma espessa camada de fumaça condensando o ar e favorecendo as tempestades, pois as nuvens se incham cheias de poluição e formam barreiras para a circulação livre do ar.

Segundo o CEDEC ( Coordenadoria Estadual de Defesa Civil), os meses com grande ocorrência de tempestades elétricas são janeiro e fevereiro, o pico do verão brasileiro e os dados apontam que cerca de 140 pessoas morrem,por ano, vítimas de tempestades elétricas e 300 são feridas. Esses dados seriam muito menores se as pessoas se protegessem de forma adequada. As descargas elétricas causam, por ano, um prejuízo de US$ 200 milhões ao país, em reformas, consertos e paralisações em redes de telefonia, indústrias, telecomunicações e propriedades públicas e privadas.Tempestade elétrica atingindo uma cidade

Geralmente,quando as pessoas se sentem inseguras e desprotegidas ante uma tempestade,procuram abrigos que não raro, se tornam mais perigosos ainda: embaixo de árvores, a céu aberto, proximidade de postes ou aparelhos elétricos aumenta as chances de ser atingido. Quando em local aberto, o ideal para sua segurança é procurar abrigo dentro de carros, pois as borrachas dos pneus afastam o risco e os artefatos em metal que compõem a estrutura dos carros conduzem a energia em volta fazendo-a circular e não direciona ao corpo humano, coberturas compostas por tijolos e manter distância de água (piscina, mar, riachos e lagoas) e aparelhos elétricos, grandes condutores de energia. Evite contato com telefones, fixo ou celular (sim, os raios viajam pelas correntes elétricas e isso não é superstição) e qualquer objeto ligado à rede elétrica além de artefatos em metal. O choque de uma descarga dessas é de 20 mil amperes, mil vezes maior que, por exemplo, um choque de corrente elétrica de um chuveiro. Dependendo da descarga emitida pelo raio, pode chegar até 200 mil amperes. O suficiente para dizimar em segundos uma tribo inteira, se esta estiver agrupada em volta de si mesma.

Caso seja surpreendido em campo aberto e distante de abrigo, o ideal é que a pessoa adote a postura conhecida como “agachamento contra raios”: com os pés juntos, agache-se com a cabeça encostada entre seus joelhos e as mãos tapando os ouvidos. A idéia nessa posição é diminuir o espaço ocupado pelo corpo e desta forma, se for atingido, nenhum órgão vital será ferido. Faça o máximo que puder para se manter no nível mais baixo possível. O corpo humano consegue reconhecer, com antecedência, a chegada de um raio: o cabelo recebe energia estática e formigamentos acometem a pele dos braços e pernas. Objetos de metal ao redor emitem forte vibração e o ar se sobrecarrega de maneira pesada e sufocante.

Estruturas altas, como morros, montanhas ou picos são os pontos mais comuns para as tempestades caírem e isso também serve para pessoas que estejam em pé durante uma ocorrência elétrica.Árvore Isolada no alto de uma colina

Embora as tempestades sejam de beleza plástica incontestável e foram temas de belos poemas e histórias literárias, para não ser personagem de uma tragédia nada romântica, o melhor a fazer é se cercar de todos os cuidados possíveis. Observar o céu pode ser uma boa maneira de impedir isso.

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